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‘É um tiro no pé para a agricultura brasileira’, diz cientista sobre plantio de cana na Amazônia | Amazônia | Acritica.com | Amazônia – Amazonas

Eles alertam sobre os impactos ambientais e econômicos do decreto que amplia o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia. Medida que bloqueava a expansão do cultivo em áreas sensíveis do país foi revogado por Bolsonaro na quarta-feira (6)

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante e Philip Fearnside, avaliam a revogação do decreto 6.961/2009, que amplia a área de cultivo da cana-de-açúcar, como uma ameaça para a Amazônia, e estimam ainda o risco à exportação de 56 milhões de litros de etanol para a União Européia por ano.

A revogação do decreto foi anunciada na quarta-feira (6) pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). A medida bloqueava a expansão do cultivo da cana-de-açúcar por áreas sensíveis do País, como a Amazônia e o Pantanal. Com a revogação, as regras para a atividade ficam mais simplificadas, resultando na ampliação de áreas de cultivo.

Autores de artigo ‘O novo presidente do Brasil e ‘ruralistas’ ameaçam o meio ambiente da Amazônia’, Lucas Ferrante e Philip Fearnside entendem que a decisão do presidente em conjunto com os ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Paulo Guedes (Economia) como um retrocesso. O estudo foi publicado  pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

“É um tiro no pé para a agricultura brasileira, para toda a questão ambiental no Brasil, que já está com uma repercussão mundial muito negativa por conta de todas as políticas que tem adotado. Podemos esperar um grande embargo na Amazônia, para a cana-de-açúcar e no Brasil, para todo o biocombustível no País. A cana por si só pode ser queimada. É um processo de degradação muito grande com o desmatamento que vai ser gerado”, disse o doutorando em Biologia,  Lucas Ferrante.

Impactos

Para o biológo e cientista norte-americano Philip Fearnside, que atua em pesquisas de problemas ambientais na Amazônia, a ampliação do cultivo da cana-de-açucar na região é uma prática que resultará em impactos negativos.

“Esse tipo de cultura acaba com a biodiversidade, tem grande impacto sobre o clima e sobre o efeito estufa, e é também uma coisa que praticamente não tem limites. Não é que o mercado vai ser saturado e não vai ter mais plantação de cana. Mas a prática representa uma ameaça tanto para a Amazônia quanto para o pantanal. É  muito preocupante para a Amazônia”, comentou.

Dez anos depois de ter sido assiando, o decreto levanta de novo a discussão em torno da conservação e preservação ambiental da Amazônia, já em pauta com o aumento das queimadas registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos últimos meses.

Era do ‘compromisso’

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Guissi se manifestou por meio de nota, defendendo a revogação. “No mundo competitivo de hoje, estar um passo à frente é determinante, especialmente quando o assunto é sustentabilidade. Migramos da era da regulação para a do compromisso. As exigências de proteção ambiental deixaram de ser apresentadas como imposição de limites para se transformarem em práticas em que o produtor/empreendedor é o primeiro interessado em assumir níveis cada vez mais exigentes. Isso por dois motivos: vemos cada vez mais valor nisso e o consumidor vê mais ainda”, destacou Guissi.

A medida adotada pelo governo vem dividindo opiniões no campo científico, político e em movimentos em defesa do meio ambiente, por todo o País. O coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Marcio Astrini analisa que o momento não é favorável para a revogação, pois segundo ele o governo está diminuindo a capacidade de atuação.

“Você põe um elemento na Amazônia que vai pressionar o regulamento da floresta. É um elemento economicamente muito poderoso, que em outros lugares onde se instalou a cana, ela foi  expulsando outras culturas do local e se instalando.  O poder de tomada de terra da cana é muito grande. E a liberação acontece num momento em que o poder de fiscalização do estado brasileiro está mais fraco”.

Acompanhamento

Consultada sobre os efeitos da derrubada do decreto da cana-de-açucar,  a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou por meio de nota que está acompanhando o processo e considera importante a diversificação econômica para a região, cabendo o acompanhamento das atividades para que respeitem as normas ambientais.

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Titulo Original: ‘É um tiro no pé para a agricultura brasileira’, diz cientista sobre plantio de cana na Amazônia | Amazônia | Acritica.com | Amazônia – Amazonas
Link original: https://www.acritica.com/channels/governo/news/e-um-tiro-no-pe-para-a-agricultura-brasileira-diz-pesquisador-sobre-plantio-de-cana-na-amazonia
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